O governo da Malásia confirmou nesta sexta-feira (24) que está avaliando internamente a possibilidade de sediar uma corrida de Fórmula 1 no Circuito Internacional de Sepang ainda em 2026. A pista malaia ganhou força como alternativa em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, cenário que coloca em xeque a realização de provas na região e força a categoria a repensar parte do calendário.
Taufiq Johari, ministro da Juventude e dos Esportes do país, afirmou que o tema já foi levado ao primeiro-ministro e está sendo tratado com atenção pelas autoridades locais. Enquanto isso, torcedores acompanham o desenrolar da temporada com o mesmo entusiasmo de quem testa um slot de gemas à espera de uma combinação favorável - a incerteza sobre onde e quando a F1 vai correr no segundo semestre virou parte do enredo da temporada. Segundo Johari, o ministério recebeu informações preliminares sobre a proposta de organizar uma etapa em Sepang para substituir o GP do Bahrein, e discussões técnicas já estão em andamento.
Como surgiu a crise no calendário
O calendário original da F1 para 2026 previa 24 corridas, quatro delas no Oriente Médio: Bahrein e Arábia Saudita, marcadas para abril, além de Catar e Abu Dhabi, que fecham a temporada entre o fim de novembro e o início de dezembro. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã levou ao cancelamento das provas do Bahrein, em 12 de abril, e da Arábia Saudita, em 19 de abril, ainda naquele momento de tensão.
Desde então, a Fórmula 1 tenta reencaixar ao menos o GP do Bahrein em outra data. Uma das alternativas discutidas era reintroduzir a corrida entre as etapas do Azerbaijão e de Singapura, aproveitando o fim de semana livre de 3 e 4 de outubro. Novas ameaças entre americanos e iranianos, somadas a ataques recentes na região, no entanto, aumentaram a insegurança em torno de qualquer evento esportivo de grande porte no Oriente Médio nesse período.
Por que Sepang entrou na conversa
Diante desse impasse, a ideia de aproveitar a data vaga para uma corrida na Malásia ganhou tração. Segundo o New York Times, que revelou a informação na quinta-feira (23), a proximidade geográfica entre Sepang e Singapura é um fator decisivo: são cerca de uma hora de voo entre as duas localidades, o que reduziria a logística de equipes, equipamentos e imprensa em uma janela já apertada do calendário.
O Circuito Internacional de Sepang não é estranho à categoria. A pista, situada ao sul de Kuala Lumpur, estreou no calendário em 1999 e permaneceu por quase duas décadas, sempre bem avaliada por pilotos e equipes pela qualidade do traçado e da infraestrutura. Sebastian Vettel é o maior vencedor no local, com quatro triunfos, enquanto Max Verstappen foi o último a subir ao topo do pódio em Sepang, em 2017. Uma eventual volta ao calendário marcaria o 20º grande prêmio da história do circuito.
O que está em jogo
Para a Malásia, a possibilidade representa a chance de reconectar o país ao circuito internacional da Fórmula 1 após anos fora do calendário. Para a categoria, trata-se de uma solução pragmática diante de um cenário geopolítico instável, que já provou capacidade de alterar planos de última hora. Nenhuma decisão foi oficializada até o momento, e tanto o governo malaio quanto a Fórmula 1 devem se pronunciar novamente assim que houver avanços concretos nas negociações.